NOME POPULAR
É conhecido pelos nomes de Berza, Brócolos, Couve, Couve-galega, Couve-roxa
e Repolho. Noutras línguas, é popularmente conhecido como Collard, Chou
Cavalier, Collard Greens, Cow Cabbage, Spring Heading Cabbage, Tall Kale e
Winter Greens.
NOME TAXONÓMICO
A espécie pertence à família das Brassicaceae ou Cruciferae. O seu nome
botânico geral é Brassica oleracea L.. No entanto, desta espécie
derivam-se diversas variedades fenotípicas utilizadas tanto na alimentação como
na fitoterapia, destacando-se a B. oleracea var. acephala DC
(couve-galega), a B. oleracea var. capitata L. (couve tradicional) e a
B. oleracea var. italica Plenk (brócolos) e B. oleracea var. viridis
(couve-galega).
Descrição
A couve é uma planta da família das crucíferas, que se caracteriza
principalmente pelas suas folhas escuras e carnudas, tradicionalmente
consumidas como alimento básico. O seu cultivo tem uma longa história na
agricultura ocidental, sendo, por exemplo, cultivada no sul dos Estados Unidos
desde o início do século XIX e constituindo um alimento de subsistência
fundamental para a população durante os anos da Guerra Civil americana.
Etimologicamente, o seu nome popular em inglês, «collard», deriva originalmente
de «colewort», uma expressão utilizada antigamente para se referir à planta da
couve quando esta ainda não tinha formado uma «cabeça» compacta. Apresenta uma
composição metabólica excecionalmente rica em diferentes derivados de compostos
de enxofre.
Peça utilizada
Para a preparação de medicamentos e para consumo, utilizam-se as partes
aéreas das plantas. Mais concretamente, utilizam-se o sumo, o extrato aquoso,
bem como a folha fresca, cozida ou fermentada (como no famoso chucrute alemão)
da couve e da couve-galega. No caso específico dos brócolos, também se
aproveita amplamente o sumo, as inflorescências maduras inteiras (frescas ou
cozidas), bem como os seus rebentos tenros e as suas sementes ricas em óleos.
Princípios ativos
As diferentes variedades de Brassica oleracea destacam-se por
possuírem uma composição rica em compostos sulfurosos e nitrogenados,
nomeadamente os glucosinolatos. Estes dividem-se em glucosinolatos alifáticos
(como o sinigrósido, a glucoiberina, a glucoerucina e a progoitrina) e
indólicos (como a glucobrasicina). Nas células da planta existe uma enzima, a
mirosinase (uma tioglucosidase), armazenada separadamente. Quando o tecido é
danificado por cortes ou pela mastigação, a mirosinase interage diretamente com
os glucosinolatos, catalisando uma reação de hidrólise que dá origem à síntese
de indóis (indol-3-acetonitrilo, indol-3-carbinol ou I3C, e
3,3'-diindolilmetano ou DIM), nitrilos e isotiocianatos (ITCs) bioativos, como
o sulforafano.
O perfil fitoquímico inclui também o sulfóxido de S-metilcisteína (SMCO) e
o ascorbígeno. Contém elevadas proporções de compostos fenólicos, tais como os ácidos
sinápicos, ferúlico, cafeico e p-cumárico. É rico em flavonoides (derivados da
quercetina, kempferol, isorhamnetina, apigenina e rutosídeo), taninos,
esteróis, saponinas, terpenóides e antocianinas. Além disso, fornece lípidos,
ácidos gordos (na semente: ácidos palmítico, esteárico, oleico, linoleico e
erúcico), carotenóides (luteína, β-caroteno, zeaxantina), e vitaminas B, C, E,
K, U e inositol.
Ação farmacológica
Indicações
De acordo com a tradição popular, o repolho é recomendado para consumo
oral, a fim de combater afeções como a úlcera gastroduodenal, regular o
trânsito intestinal (combatendo a obstipação), o escorbuto e acalmar o estômago
irritado. Recomenda-se também o seu consumo com vista a combater doenças como a
anemia, problemas cardiovasculares, diabetes, obesidade, degeneração macular e
glaucoma. Por via externa ou por aplicação tópica, as suas folhas cozidas e
prensadas sob a forma de compressas são eficazes para favorecer a cicatrização
de úlceras varicosas, eczemas cutâneos, dermatites e estados de inflamação dos
seios durante o período de amamentação. Do ponto de vista médico, o seu elevado
consumo na alimentação é fortemente recomendado devido às suas propriedades
preventivas e curativas, com o objetivo de retardar e ajudar a reverter o
desenvolvimento do processo carcinogénico sistémico, bem como de combater, em
particular, o desenvolvimento de tumores na mama, na bexiga e na próstata.
Contra-indicações
As formulações desta espécie medicinal vegetal estão estritamente
contraindicadas em doentes que apresentem hipersensibilidade alogénica
comprovada à própria planta viva ou a qualquer um dos seus compostos botânicos
resultantes da sua degradação. Uma vez que a avaliação toxicológica formal
ainda não está concluída, não existem informações médicas suficientemente
sólidas e fiáveis relativamente à sua dosagem terapêutica específica para
populações de risco; por isso, recomenda-se às mulheres grávidas e a amamentar
que evitem consumir e tomar suplementos de couve em doses superiores às
quantidades padrão de consumo alimentar.
Precauções
Na teoria clínica, um consumo excessivo deste vegetal — e, por conseguinte,
de vitamina K —, especialmente se superior a 450 gramas diárias de brócolos,
pode desencadear uma resistência adquirida indesejável e provocar interações
que antagonizam os medicamentos anticoagulantes (como a varfarina). Da mesma
forma, o consumo de B. oleracea tem o potencial de induzir variações nos
padrões de metabolização de analgésicos do tipo paracetamol ou fenacetina,
afetando, teoricamente, o comportamento cinético da enzima hepática citocromo
P450 (CYP), devido ao estímulo provocado pela ingestão de compostos ricos em
enxofre. Existem precauções importantes a ter em conta para os indivíduos e
doentes diagnosticados com diabetes em tratamento, em que a combinação da couve
com a prescrição de medicamentos antidiabéticos (como a glimepirida, a insulina
ou a rosiglitazona), ou em conjunto com fitoterápicos hipoglicemiantes, aumenta
moderadamente, mas de forma perigosa, as probabilidades de sofrer quedas
rápidas e repentinas da glicemia; o que, em muitos casos, exige que o
especialista responsável pelo tratamento faça um acompanhamento rigoroso e
reduza as doses. Por fim, o receio histórico de uma potencial ação
antitireoidiana causadora de bócio foi recentemente refutado; estudos confirmam
categoricamente que o seu consumo em grandes quantidades é inofensivo e seguro
no que diz respeito ao funcionamento da glândula tiroide, desde que a
alimentação normal garanta os suplementos de iodo necessários.
Efeitos secundários e toxicidade
Trata-se de uma erva que pode ser considerada, com razoável segurança,
segura segundo todos os critérios, apresentando uma tolerabilidade ótima para
consumo nutricional na grande maioria das populações. O único efeito clínico
sintomático, colateral ou contraproducente relatado com elevada incidência é a
ocorrência de sintomas de flatulência ligeiros a moderados após a digestão,
devido ao perfil rico em hidratos de carbono fermentáveis e compostos de
natureza sulfúrica. Não se registam ensaios clínicos sistemáticos de grande
envergadura nem uma avaliação oficial aprofundada que explorem explicitamente
os efeitos tóxicos agudos associados a sobredosagens provocadas pela utilização
de volumes ou concentrações extremamente elevadas de col, no âmbito de protocolos
médicos puramente suplementares.
Estudos
Na literatura referenciada, destacam-se numerosos estudos pré-clínicos. Por
um lado, os estudos clínicos observacionais publicados confirmaram que o
consumo diário de cerca de 0,88 chávenas de vegetais da família das crucíferas,
ricos em nutrientes, consegue reduzir as taxas de incidência do cancro
epitelial da bexiga em até 30%. Os estudos in vitro centrados no fracionamento
do brócolo revelaram uma inibição agressiva e uma interrupção natural do ciclo
de crescimento oncológico em patologias cancerosas. Os ensaios in vivo
realizados com roedores geneticamente saudáveis revelaram reduções
significativas do colesterol prejudicial, sem que tenham sido relatadas reações
hepatotóxicas. De forma semelhante, observou-se em ensaios validados in vivo
com ratos com diabetes que doses exatas de 60 mg/kg de couve são
estatisticamente tão eficazes e benéficas na modulação e redução de quadros
graves de hiperglicemia como doses equivalentes de glibenclamida terapêutica na
proporção de 5 mg/kg. A ação sobre o controlo da resposta inflamatória local é
confirmada a nível experimental através da redução das citocinas nocivas
mediante a utilização de extratos liofilizados combinados de rebentos,
conseguindo proteger eficazmente vários modelos de roedores de doenças
induzidas artificialmente.
Bibliografia
